Monday, May 30, 2011

Doors (Portas)

I have always been fascinated by doors. Many years ago, I flew to the other side of the United States just because I saw in the newspaper the picture of a door of a house and felt that it was calling to me.  I like to look at doors and ponder about them: what makes someone who lives in a brown house decide to paint the door pink? Why are the doors of some houses always open? Why is a door tall and elegant, while other lack style and could be mistaken for any other? On Sunday, my husband and I drove through Bucks County photographing doors.  While we did that, I thought about something that I had read last month on  dailyword ( http://www.dailyword.com/):

"A door can be a symbol either of freedom or of bondage, depending upon my viewpoint. Some closed doors are opened with the turn of a doorknob, others must be opened with a key, while others require only a push.

When a door appears closed, some action on my part may be necessary. Faith may be needed to turn the knob; prayer may be the key to unlock the door; willingness and persistence may supply the push to open it.

A door is a meaningful symbol, for it represents both leaving and entering. Some doors lead away from a phase of my life that is complete. Through others I enter a new phase or untried path. Today I confidently open the door to my good."

















PORTAS

Sempre fui fascinada por portas. Há muitos anos, viajei até o outro lado dos Estados Unidos porque vi num jornal a foto da porta de uma casa e senti que ela estava me chamando. Gosto de admirar portas e refletir sobre elas: o que faz alguém que mora numa casa marrom decidir pintar a porta cor de rosa? Por que as portas de algumas casas estão sempre abertas? Por que uma porta é alta e elegante, enquanto outra não tem personalidade alguma e poderia ser confundida com qualquer outra? No domingo, meu marido e eu andamos por Bucks County fotografando portas. Enquanto fazíamos isso, pensei em algo que eu tinha lido no mês passado, em dailyword (http://www.dailyword.com/):






"Uma porta pode ser um símbolo de liberdade ou de escravidão, dependendo do meu ponto de vista. Algumas portas fechadas são abertas com o girar de uma maçaneta, outras exigem uma chave, enquanto outras ainda precisam apenas de um empurrão.












Quando uma porta parece fechada, requer alguma ação de minha parte. A fé pode ser necessária para mover a maçaneta, a oração pode ser a chave para destrancar a porta, vontade e persistência podem fornecer o impulso necessário para abri-la.











 

 

Uma porta é um símbolo tanto de saída quanto de entrada. Algumas portas levam para fora de uma fase da minha vida que se encerrou. Através de outras entro numa nova fase ou por um caminho que nunca percorri. Confiantemente, hoje eu abro a porta em direção à coisas melhores."

Photos: Bernadete Piassa

Wednesday, May 25, 2011

Living on Automatic Mode (Vivendo no piloto automático)

Last night, I watched the movie Mulholland Dr., from director David Lynch. I got it because the director also made that fantastic movie Blue Velvet, with Isabella Rossellini, and because the reviews used words such as “Cerebral, Steamy, Mind-bending, and Suspenseful”. From the very beginning, I realized the movie didn’t make any sense at all. I kept watching it, in the hopes that it would improve and, when the movie ended, I still did not understand what the real name of the main character was, what happened to the bad guys who were pursuing the good guys, how the concierge of the apartment building turned out to be the movie director’s mother, and how the main character, who enjoyed men, ended up lesbian. But, my main question at the end was: what made me keep watching the movie when it was so obviously a bad one? Was the movie dumb, or was I ?

Imagine if the world had indeed come to an end this past Saturday, like that evangelist in the US was saying, and I had been suddenly been transported to Heaven. Two hours of my precious life would have been wasted doing something totally useless. And that would not have been the only time I watched something I did not find particularly entertaining. I don’t like to watch TV because it seems to have the same effect on me: I turn it on and find myself an hour later still watching whatever is showing, even if it is the stupidest thing possible. It is as if once the switch is on, I can’t think anymore. I operate in automatic mode.

If we were to think about what we do at all the minutes of our lives, our minds would short circuit with too much information and so many decisions to make. However, I think there are there are things we could decide that would make our lives more satisfying, but we find it easier to ignore or to let someone else to make these decisions for us. The movie is playing. Let’s watch it regardless of quality. The food in the restaurant is not so good. Let’s eat it because it is already on the table. The boyfriend is really annoying. Let’s stick with him because it is better than being alone… The job is not the one that we dreamed about, but we’ll keep it and wait for our retirement… Because of our fear of making decisions, or just out of laziness, we accept things that we shouldn’t and follow a path that doesn’t bring us to contentment. 

Decisions are scary because they don’t come with a warranty. I can’t be sure that if I dump the boyfriend, I will find a better one, or if I quit my job I will find another that I really enjoy. However, if we continue to live on automatic mode and don’t change anything, we will never find out the outcome of a decision that we could have made.  Life can become very boring if we never take any risks.


VIVENDO NO PILOTO AUTOMÁTICO

Na noite passada, assisti ao filme “Cidade dos Sonhos” do diretor David Lynch. Peguei esse filme para ver, porque o diretor tinha dirigido aquele filme fantástico “Veludo Azul”, com Isabella Rossellini, e porque o filme havia sido descrito como "cerebral, quente, fascinante e cheio de suspense". Desde o início, percebi que o filme não tinha a menor coerência. Mas continuei assistindo, na esperança de que iria melhorar. Bem, o filme acabou sem que eu entendesse qual era o nome de verdade da personagem principal, o que tinha acontecido com os bandidos que estavam perseguindo os mocinhos, como a porteira do prédio podia ser ao mesmo tempo mãe do diretor do filme, e como a personagem principal, que gostava de homens, de repente virou lésbica. Mas minha pergunta principal no final foi a seguinte: o que me fez continuar assistindo a um filme que era tão ruim? Quem era idiota: o filme ou eu?

Imagine se o mundo tivesse realmente acabado no sábado, como aquele evangelista americano estava pregando, e eu tivesse morrido. Duas horas da minha preciosa vida teriam sido gastas fazendo algo totalmente inútil. E essa não teria sido a única vez que perdi tempo vendo algo que não acho particularmente divertido. Eu não gosto de assistir TV porque a TV parece ter esse efeito sobre mim: eu a ligo e, uma hora mais tarde, reparo que continuo assistindo seja lá o que estiver passando, mesmo que seja a coisa mais boba do mundo. É como se uma vez que eu ligasse o aparelho, não conseguisse mais pensar. Começo a operar no piloto automático.

Se fôssemos pensar em tudo que fazemos em todos os momentos de nossas vidas, nossas mentes iriam ter um curto-circuito devido ao excesso de informação e de decisões para tomar. No entanto, há decisões que se tomássemos nos deixaria mais satisfeitas com nossas vidas, mas achamos mais fácil ignorá-las ou deixar que alguém tome a decisão por nós. O filme está passando. Vamos vê-lo independentemente da qualidade. A comida no restaurante não é tão boa. Vamos comê-la porque já está na mesa. O namorado é realmente irritante. Vamos ficar com ele porque é melhor do que estar sozinha ... O trabalho está longe de ser o que sonhamos. Vamos mantê-lo e esperar pela aposentadoria ... Por medo de tomar uma decisão, ou apenas por preguiça, aceitamos coisas que não devemos e seguimos um caminho que não nos traz felicidade.

As decisões são assustadores porque não vêm com garantia. Como terei certeza de que se eu terminar com o namorado vou arrumar outro melhor? Se pedir demissão do meu emprego vou mesmo encontrar algo que realmente gosto? Se continuamos a viver em piloto automático e não mudamos nada, nunca iremos saber o resultado de uma decisão que poderíamos ter tomado. A vida pode ficar muito chata se nunca temos coragem para correr riscos.

Photo: Universal Studios

Tuesday, May 17, 2011

The Garden of Reflection (O jardim da reflexão)

Fallsington, PA
On the weekends, my husband and I like to go out and discover new places. Three weeks ago, because of this, we found ourselves in Fallsington, PA, the village that time forgot, with a Quaker community and an architectural heritage that is uniquely American.  Two weeks ago we were in Hoboken, NJ, the city where Frank Sinatra was born, located by the Hudson River directly across from Manhattan.  Fallsington was beautiful, with many stone houses, making us feel like we had gone back to the 1700’s. Hoboken, which apparently had been voted as the best place for singles in the US, had countless young people in the streets and was very vibrant.

Last week, while driving aimlessly through Bucks County, we came across a sign pointing the way to the Garden Of Reflection and decided to visit it as well. We discovered that this garden, located on an old farm in Lower Makefield Township, was a memorial created to remember and honor the 2,973 individuals killed on September 11, 2001.

Hoboken, NJ
Liuba Lashchyk, the architect of the garden, designed it with the intention of inviting visitors on a contemplative journey of remembrance, reflection and healing. We passed by some fragments from the ruins of the World trade Center, then saw the names of all the victims etched in glass along the Remembrance Walk. Finally; we reached the twin columns of water shooting upwards from the middle of a fountain, placed there as a symbol of peace and a celebration of life.

The seventeen maple trees planted in the area were there to represent the Bucks County residents lost in the attacks, while the forty-two lights along the Spiral Walk represent the forty-two Pennsylvania children who lost a parent that day. The memorial journey leads from sorrowful reminders of tragedy and grief towards hope. Close to the fountain, there is a plaque that reads “After Darkness… Light.”

The whole design of the garden and the way I felt while visiting it, convinced me that, if these people who died that day were to be around, they would be in peace, surrounded by the green scenery of Bucks County. There is not a better place to be than one full of tranquility and beauty.

Ruínas do World Trade Center
In life we can always choose what we want and how to remember. We can remember what happened on September 11, 2001 with hate, or we can feel sadness as we think about the people who died on that September morning and treasure their memories with love. The other day, one of my sisters told me that she was talking with a person on the phone and that person got angry and hung up on her. However, she decided that she was going to think that the line had gone dead for technical reasons instead of believing that the person hung up on her. She would not allow herself to get angry like the other person. 

There can be hate but there can be also forgiveness. The garden of reflection and life, in general, teach us that.

O JARDIM DA REFLEXÃO
 
Nos fins de semana, eu e meu marido gostamos de sair e descobrir novos lugares. Foi por isso que há três semanas acabamos indo a Fallsington, PA, o vilarejo que o tempo esqueceu, que tem uma comunidade quaker e uma arquitetura bem típica americana. Há duas semanas, fomos para Hoboken, Nova Jersey, onde Frank Sinatra nasceu, localizada perto do rio Hudson, em frente a Manhattan. Fallsington era linda, com muitas casas de pedra, fazendo-nos sentir como se tivéssemos voltado aos anos 1700. Hoboken, que aparentemente havia sido eleita a melhor cidade para solteiros nos EUA, tinha uma multidão de jovens nas ruas e era muito animada.

Na semana passada, enquanto dirigíamos sem rumo no condado de Bucks onde moramos, demos com uma placa indicando o caminho para o Jardim da Reflexão e decidimos visitá-lo.  O jardim, localizado numa fazenda antiga, no município de Lower Makefield, foi criado como um memorial para lembrar e honrar as 2.973 pessoas que morreram em 11 de setembro de 2001.

Vista panorâmica do Jardim da Reflexão

Liuba Lashchyk, a arquiteta do jardim, desenhou-o com a intenção de convidar os visitantes a uma viagem contemplativa de lembranças, reflexão e cura. Passamos por alguns pedaços das ruínas do World Trade Center, em seguida vimos os nomes de todas as vítimas gravados em vidro no Caminho da Memória, depois chegamos no chafariz, colocado lá como um símbolo de paz e celebração da vida.

As dezessete árvores de bordo plantadas na área representavam os moradores do condado mortos no ataque, enquanto as quarenta e duas luzes ao longo do caminho em forma de espiral representavam os quarenta e dois filhos, daqui do estado da Pensilvânia, que perderam um dos pais naquele dia. O passeio pelo jardim começava com lembranças tristes da tragédia e acabava com esperança. Perto do chafariz, havia uma placa onde se lia "Depois das trevas ... luz"

O desenho do jardim e o jeito que me senti ao visitá-lo, convenceram-me de que, se as pessoas que morreram naquele dia estivessem ali, estariam em paz, cercadas pela paisagem verde de Bucks County. Não há lugar melhor do que um cheio de tranquilidade e beleza.


Na vida, sempre podemos escolher o que queremos lembrar e como. Podemos lembrar o que aconteceu em 11 de setembro de 2001 com ódio, ou podemos sentir tristeza, mas pensar nas pessoas que morreram com amor e guardar as lembranças delas como tesouros. Outro dia, uma de minhas irmãs me contou que estava falando com uma pessoa no telefone e essa pessoa ficou irritada com ela e bateu o telefone na cara dela. No entanto, ela decidiu que ia pensar que a linha tinha caído por razões técnicas. Ela não ia ficar com raiva da outra pessoa.


Existe ódio, mas também existe perdão. O jardim da reflexão e a vida, em geral, nos ensinam isso.


Photos: Bernadete Piassa


Friday, May 13, 2011

Can you hear me? (Você pode me ouvir?)


My husband and I were driving to a meeting today when this guy stopped his car next to us at a red light. He was playing such loud music, that I thought my ears were going to explode. I felt tempted to roll down the passenger side window of my car and ask him: “excuse me, just what makes you think that I want to hear your music?”  Instead, I just started pondering why are there so many people in the world who want to force us to enjoy what they like, as if they know better than anyone what is good for us.

There is nothing that I dislike more than perfect strangers telling me what I should do. Once there was this woman who had the key to a fitting room in a department store and when I asked for it, she told me that I should smile first. I felt like kicking her instead, of course…Sometimes the people aren’t total strangers, but acquaintances who make some comment  out of the blue. I have heard people advising me to cut my hair, let it grow, try a different color, and so on. And all of this at a moment we weren’t discussing hair at all…

Sometimes I worry that I am becoming too Americanized and that is why I don’t enjoy people giving me their two cents worth – an American expression by the way that means giving a free advice. Maybe I am so used to living in the US, where privacy is so important, that I don’t have a high regard for this kind of behavior anymore.

Today I was discussing with a Brazilian friend, who had guests from Brazil staying at her house for one month, about how we change after living many years in another country. It is only after spending time with people from our own country that we come to realize the differences between us.

One thing I know for sure. Even if I were in Brazil, US, China, Tibet or any other country, these people with their sound system blasting in their cars, forcing me to hear their music would always annoy me.  The same is true for people who ask me to smile when I just need a key to the fitting room, or suggest that I do something with my appearance when I am feeling perfectly well the way I look. I guess we all have our sore spot that when touched makes us feel like strangling a perfect stranger. ..

VOCÊ PODE ME OUVIR?

Meu marido e eu estávamos indo para uma reunião hoje, quando o sinal fechou e um carro parou à nossa direita. O moço que dirigia estava tocando uma música tão alta, que eu pensei que meus ouvidos fossem explodir. Fiquei tentada a abrir a janela do lado do passageiro do meu carro e perguntar ao sujeito: "com licença, mas você realmente acha que eu quero ouvir a sua música"?  Em vez disso, fiquei pensando por que tem tanta gente no mundo que quer nos obrigar a gostar do que eles gostam, como se soubessem  melhor do que ninguém o que é bom para nós.

Não há nada que me irrite mais do que perfeitos estranhos me dizendo o que devo fazer. Uma vez, tive de pedir a uma mulher a chave para entrar no provador de roupas numa loja. Quando pedi a chave, ela me disse que eu deveria primeiro lhe dar um sorriso. É claro que tive vontade de lhe dar um chute em vez disso... Às vezes as pessoas não são totalmente estranhas, mas conhecidos que resolvem fazer um comentário sem mais nem menos. Já tive gente me aconselhando a cortar meu cabelo, deixar crescer, tentar uma cor diferente, e assim por diante. E tudo isso quando nem estávamos falando de cabelo...

Às vezes eu me preocupo achando que estou ficando muito americanizada e é por isso que não gosto mais de pessoas me dando ‘os seus dois centavos’ - uma expressão americana que quer dizer dar uma opinião de graça. Talvez eu esteja tão acostumada a viver nos EUA, onde a privacidade é tão importante, que não tenho mais paciência com esse tipo de comportamento.

Hoje eu estava conversando com uma amiga brasileira, que tinha acabado de receber hóspedes do Brasil na sua casa por um mês, sobre como mudamos depois de viver muitos anos em outro país. E só depois de passar um tempo com as pessoas do nosso próprio país é que percebemos as diferenças entre nós.

Mas uma coisa eu sei com certeza. Mesmo se eu estivesse no Brasil, EUA, China, Tibete ou em qualquer outro país, essas pessoas com o seu sistema de som tocando a todo volume nos carros, obrigando-me a ouvir a música delas, iriam sempre me irritar. O mesmo é verdade para aquelas que me pedem para sorrir quando só preciso de uma chave para o provador de roupas, ou as que me sugerem que eu mude alguma coisa na minha aparência quando estou me sentindo perfeitamente bem do jeito que sou. Todos nós temos um pontinho especial que quando tocado nos deixa com vontade de esganar um perfeito desconhecido. ..

Photo: Paul Martin Eldridge

Wednesday, May 4, 2011

Fish lesson (A lição do peixe)

My friend is puzzled. She thinks and thinks but still can’t understand how this happened. She lives by herself and, last October, she decided to get a fish. Every morning she would feed the fish, turn the filter in the fish tank on, and leave for work. Every night she would check on the fish again, and turn off the filter. Last week, she got home and the fish wasn’t there. She looked carefully on the floor, on all the furniture around, just in case the fish had jumped out of the tank. She made sure that the fish had not gotten inside the filter (the filter was too small for that), she covered all possible routes of escape for her fish. The fish was nowhere to be found. There wasn’t another fish to eat that one. Nobody else had the key for her apartment to come and steal the fish. Where could her fish have gone?

Life has many mysteries that sometimes remain unsolved. It is very hard to deal with unanswered questions, but who are we to think that we have the answers to everything? Maybe if we are forced to live with the empty tank of a fish that vanished into thin air we will discover that it is impossible to decipher all of nature’s mysteries.

 The last 10 days have been very puzzling for me. I look in the Internet and I see that Prince William got married and for a few days there are many pictures of that fairy tale wedding. Next thing I know, I look in the Internet again and I see that Osama bin Laden was killed, and there are spontaneous celebrations in the streets of the US, and the press, thirsty for blood as always, want to know all the details. I wonder what makes people follow a love story one week, and cheer for vengeance in the next week. The souls of the human beings have many dark secrets.

I read somewhere that in a few years the city of Campo Grande, in Brazil, will have a huge aquarium which will house more than 350 species of animals, reptiles, fish, crustaceans and mollusks. The visitors will be able to admire and learn about the rich biodiversity of rivers in that region and see a wide variety of animals and plants. I hope that I can be among these visitors. Fish give me peace. I like to observe their elegance, their gracefulness of movement, the way they go about their business without bumping into each other. They teach us a lot. And they do all of this in the most perfect silence…

A LIÇÃO DO PEIXE

Minha amiga está perplexa. Por mais que ela pense,  não consegue entender como aquilo aconteceu. Ela mora sozinha e, no mês de outubro, decidiu comprar um peixe. Todas as manhãs, ela lhe dava de comer, ligava o filtro no aquário e ia trabalhar. De noite,  ela dava uma outra olhada no peixe e desligava o filtro. Na semana passada, ela chegou em casa e o peixe não estava lá. Ela olhou com cuidado no chão e em todos os móveis ao redor, pensando que talvez o peixe tivesse saltado do aquário. Verificou o filtro para ter certeza de que o peixe não estava dentro (o filtro era pequeno demais para isso). Ela cobriu todas as possíveis rotas de fuga do peixe. O peixe não estava em nenhum lugar. Não havia outro peixe para comê-lo. Ninguém tinha a chave do apartamento dela para entrar e roubar o peixe. Onde poderia ter ido parar o peixe?

A vida tem muitos mistérios que muitas vezes permanecem sem solução. É muito difícil lidar com perguntas sem respostas, mas quem somos nós para achar que temos respostas para tudo? Talvez se nós formos obrigados a conviver com um aquário vazio de um peixe que desapareceu no ar isso nos ajudará a aceitar que é impossível decifrar todos os mistérios da natureza.

 Eu também ando muito perplexa ultimamente. Leio na internet que o príncipe William se casou e por alguns dias, há muitas fotos desse casamento de conto de fadas. A próxima coisa que vejo na internet é a morte de Osama bin Laden e as festas nas ruas dos EUA, enquanto a imprensa, sedenta de sangue como sempre, quer saber de todos os detalhes. Eu me pergunto o que faz as pessoas acompanharem uma história de amor uma semana, e na semana seguinte clamarem por vingança. As almas dos seres humanos têm muitos segredos obscuros.

Li em algum lugar que daqui há alguns anos a cidade de Campo Grande, no Brasil, terá um enorme aquário, que vai abrigar mais de 350 espécies de animais, répteis, peixes, crustáceos e moluscos. Os visitantes poderão admirar e aprender sobre a rica biodiversidade dos rios daquela região e ver uma grande variedade de animais e plantas. Espero que eu possa estar entre os visitantes. Peixes me dão paz de espírito. Gosto de observar a sua elegância, seus movimentos graciosos, a maneira como seguem sua vida sem esbarrar uns nos outros. Eles nos ensinam muito. E fazem tudo isso no silêncio mais perfeito...

Photo by Bernadete Piassa – Nobres, MT, Brazil