Thursday, March 24, 2011

Marilyn Monroe Doing Physical Therapy (Marilyn Monroe fazendo fisioterapia)

I park my car and walk quickly to the physical rehabilitation center. It is raining and I wish I could run. But the whole reason I am coming here is for physical therapy on my knee so I can recover from surgery to repair the meniscus. My physical therapist is there waiting for me and soon I found myself resting comfortably on a massage table, with hot towels wrapped around my knee. Since I will be in this position for 10 minutes, I have time to observe the room.
The rehabilitation center is filled with “toys”. There are balls, ropes, balance beams, and lots of other equipment usually seen in a normal gym. But the people here are very different. They are middle-aged men and women with injuries especially to their hands, knees, shoulders and ankles. They seem to enjoy talking with each other and the main topic of conversation is their injuries. The talks revolve around how many minutes someone exercised the day before, which doctor did the surgery, where was it done, and if the pain is still there...
The therapists are young and cheerful. If they are not helping someone, they are doing exercises or walking around and joking with the patients. In addition to them, there is just another young person in the rehabilitation center:  a lonely woman in the small pool at the back of the room. She looks to be around twenty years old and reminds me of Marilyn Monroe with her platinum hair, bright lipstick and languid movements.  She walks slowly from one side of the pool to the other, seeming bored and unaware that most of the old men in the room are watching her. For a minute I ask myself if she is for real or just some plastic doll with the face of Marilyn Monroe placed there so the old people would exercise with more enthusiasm. I laugh at the thought, look again at the other patients around me, and ask myself how come I got to be among them.
When we are young, we feel that we are invulnerable. Sure, we might break a leg or a hand playing sports, but we soon recover and are back to our normal activities without a second thought. We look at old people in the grocery stores or driving in front of us and we get impatient about their slowness. We have no time to waste. We want to experience as many things as possible in the least amount of time. These old people... ah, they are just bothering us, preventing us from moving faster.  And why shouldn’t we be able to speed as much as we want? Nothing is going to happen to us. We are invincible, protected by the shield of youth.
Suddenly, we reach our thirties, our forties, and our fifties. One day we are injured and discover recovery is not so fast. We have time to stop and think. Time to wonder why time is so important. Time to reflect on old age and on where we are going in such a hurry.
Where would Marilyn Monroe be if she were still alive today? Would she end up like Elizabeth Taylor, dying in a hospital bed, her beauty gone, her body ravaged by one illness after another? What would have happened with her glamour, her sex appeal? Would she be abandoned by her fans in the end? Why do we need to create one sex symbol after another, forever elevating women to the status of stars only to knock them down from their pedestal when another appears and shines more brightly? We value ephemeral things like beauty, youth, money, forgetting that a resilient body is more useful than a sexy, anorexic body, that education can take us farther than vanity.
My 10 minutes of relaxing are up. It is time for exercising. I will join the crowd of middle-aged people who might move slowly but are wise enough to know that the important thing is to get where you want to go.


Estaciono meu carro e ando rapidamente até o centro de reabilitação física. Está chovendo e gostaria de poder correr. Mas a razão pela qual estou vindo ao centro é para fazer fisioterapia no joelho, para que eu possa me recuperar de uma cirurgia no menisco. Meu fisioterapeuta está me esperando e logo me instala confortavelmente numa mesa de massagem com toalhas quentes enroladas no meu joelho. Como preciso ficar nessa posição por 10 minutos, tenho tempo para observar o ambiente.

O centro de reabilitação é cheio de "brinquedos". Há bolas, cordas, balanços, vigas, e um monte de outros equipamentos que a gente geralmente vê numa academia de ginástica. Mas as pessoas aqui são muito diferentes. São homens e mulheres de meia-idade com lesões, especialmente nas mãos, joelhos, ombros e tornozelos. A maioria parece gostar de bater papo e o assunto preferido é doença. As conversas giram em torno de como alguém fez tantos minutos de exercícios no dia anterior, qual o médico que operou a lesão, onde a cirurgia foi feita, se a dor ainda continua  e por aí vai ...

Os fisioterapeutas são moços e animados. Se não estão ajudando alguém, estão levantando pesos ou andando pela sala e fazendo piadinhas com os pacientes. Além deles, há apenas uma outra pessoa jovem no centro de reabilitação: uma mulher solitária, na piscina no fundo do salão. Ela dá a impressão de ter mais ou menos 20 anos e me faz lembrar de Marilyn Monroe com seu cabelo louro platinado, batom brilhante, e movimentos lânguidos. A moça caminha lentamente de um lado da piscina para o outro, parecendo entediada e sem perceber que a maioria dos homens idosos está olhando para ela. Por um minuto eu me pergunto se ela é de verdade ou apenas uma boneca de plástico com o rosto de Marilyn Monroe colocada lá para que as pessoas se exercitem com mais entusiasmo. Acho graça do pensamento e olho novamente para os outros pacientes na sala, me perguntando como fui parar entre eles.

Quando somos jovens, sentimos que somos invulneráveis. Claro, podemos quebrar uma perna ou uma mão praticando esportes, mas logo nos recuperamos e voltamos às atividades normais, sem pensar duas vezes. Olhamos para as pessoas idosas nos supermercados ou dirigindo e ficamos impacientes com sua lentidão. Não temos tempo a perder. Queremos experimentar tantas coisas quanto possível no menor espaço de tempo. As pessoas de idade ... ah, elas estão apenas nos incomodando, nos impedindo de andar mais rápido. E por que não teríamos o direito de correr tanto quanto queremos? Nada acontecerá conosco. Somos invencíveis, protegidos pelo escudo da juventude.

De repente, chegamos aos nossos trinta, quarenta, cinquenta anos. Um dia, nos machucamos e descobrimos que a recuperação não é tão rápida. Então temos tempo para parar e pensar. Tempo para tentar descobrir por que o tempo é tão importante. Tempo para refletir sobre a velhice e sobre para onde estamos indo com tanta pressa.

Onde será que Marilyn Monroe estaria,  se ainda estivesse viva hoje? Será que acabaria como Elizabeth Taylor, morrendo numa cama de hospital, sem sinais da beleza do passado, seu corpo devastado por uma doença atrás da outra? O que teria acontecido com o seu glamour, seu sex appeal? Teria sido abandonada por seus fãs no final da vida? Por que precisamos de criar um símbolo sexual após o outro, sempre elevando uma mulher ao status de estrela só para derrubá-la de seu pedestal quando outra aparece e brilha mais intensamente? Valorizamos coisas efêmeras como a beleza, a juventude, o dinheiro, esquecendo que um corpo resistente é mais útil do que um corpo sexy e anoréxico, que a educação pode nos levar mais longe do que a vaidade.

Meus 10 minutos de relaxamento acabaram. É hora de me exercitar. Vou me juntar às pessoas de meia-idade que se mexem lentamente, mas são sábias o suficiente para saber que o importante é chegar onde queremos ir.

Thursday, March 17, 2011

One Hundred Thoughts (Cem pensamentos)

I never thought I would get so far, but somehow I managed to reach my 100th blog. In the first one I wrote, on April 2009, I was afraid that I would not have much to say. Sometimes I still have that feeling but some way or another I keep writing, trying to find answers to my countless questions about life and about myself.
But I don’t want my 100th blog to be about me. Since March 8 was International Women’s Day, I would like to dedicate this posting to the many women who crossed my life fleetingly but left such a strong impression.  They were the women I saw on my travels, working in the streets, selling their merchandise, faces marked by time, their bodies far from perfect.

The Peruvian woman (top picture) was selling flowers in a market in Cusco, Peru. I looked at her and knew that she would be forever imprinted on my soul. Her toothless mouth, her torn dress ... these were just disguises for her beauty. She belonged in a painting or in a fairy tale, telling stories about the time when a prince came and covered her with flowers.
The Hungarian woman (picture at the middle) was sitting outside her store in a small town close to Budapest, Hungary. She looked so serious that my daughter told me not to photograph her. I did anyway. I imagined she was worried about what to cook for dinner. She probably had a big family and many things to think about. Her life was centered on a table full of food and talk...

I gave $R1 to the Bolivian woman who was selling garlic in the street market of Corumba, Brazil, and asked her if I could take a picture of her. She laughed, and in her laughter she became young again. I could see a mischievous light shining on her eyes and picture her dancing with the man of her dreams.

These women weren’t fashion models, movie stars, powerful businesswomen, or well-known politicians. But they had personality, they had strength. Their beauty came from within. Their wrinkled faces had many stories to tell. They didn’t succumb to the tyranny of Botox, erasing the past from their face. Their past and present were written on them, and they seemed to be proud of how far they had gone. They should be. In their simplicity, they were very beautiful.


Nunca pensei que chegaria tão longe, mas este é o meu centésimo blog.  Quando escrevi o primeiro, em abril de 2009, fiquei com medo de não ter muita coisa para dizer. Às vezes ainda fico assustada, mas de uma maneira ou de outra continuo escrevendo, tentando encontrar respostas para minhas inúmeras perguntas sobre a vida e sobre mim mesma.

Mas não quero que o meu centésimo blog seja a meu respeito. Já que 8 de março foi o Dia Internacional da Mulher, gostaria de dedicar este blog às inúmeras mulheres que cruzaram a minha vida brevemente, deixando uma forte impressão. Vi essas mulheres nas minhas viagens, trabalhando nas ruas, vendendo suas mercadorias, os rostos marcados pelo tempo, os corpos longe de serem perfeitos.

A mulher peruana (foto acima) vendia flores em um mercado de Cusco, Peru. Eu a olhei e soube, no mesmo momento, que sua imagem ficaria para sempre gravada em minha alma. A boca desdentada, o vestido rasgado ... esses eram apenas disfarces para sua beleza. Ela deveria fazer parte de um quadro, ou um conto de fadas, narrando a história de um príncipe que um belo dia cobriu-a com flores.

A mulher húngara, (foto ao centro) sentada diante de sua loja em uma cidadezinha perto de Budapeste, Hungria, parecia tão séria que minha filha me disse para não fotografá-la. Eu a fotografei assim mesmo. Imaginei que ela estivesse preocupada com o que fazer para o jantar. Provavelmente tinha uma família grande e muitas coisas para pensar. Sua vida era centralizada em volta de uma mesa cheia de comida e boas conversas ...

Dei $R1 para a mulher boliviana que vendia alho na feira de Corumbá, no Brasil, e perguntei se podia tirar uma foto dela. Ela riu, e com seu sorriso tornou-se jovem novamente. Uma chama travessa iluminou seu olhar e eu a imaginei dançando com o homem dos seus sonhos.

Essas mulheres não eram modelos, estrelas de cinema, mulheres de negócios poderosas, ou políticas renomadas. Mas tinham personalidade,  força. Sua beleza vinha de dentro. Seus rostos enrugados tinham muitas histórias para contar. Elas não haviam sucumbido à tirania do Botox, apagando o passado das suas fisionomias. Seu passado e presente estavam lá,  gravados nelas, e elas pareciam orgulhosas de terem chegado onde chegaram. E deveriam mesmo estar. Na sua simplicidade, eram muito bonitas.

Photos: Bernadete Piassa

Wednesday, March 2, 2011

Commotion (Tumulto)

People say that if you see a spider you have to pay attention: spiders travel in pairs and if one is there another will soon appear. Other animals, like deer, usually live in herds and very seldom are seen alone. I am convinced that this is also true about confusion. When something out of the ordinary happens , we can be sure that other extraordinary things are going to happen as well.

Since last Thursday my life has been turned upside down. Everything started with my knee surgery, a very simple arthroscopic procedure from which I was hoping to recover the same day. Well, it turned out that it wasn’t so simple …

I had the surgery at Penn Presbyterian, a huge teaching hospital in Philadelphia, where medical students learn from the best professors and doctors offer their patients state-of- the- art services.  The first thing I learned when I got there was that I was expected to know how to spell. “Can you please spell your name to me?” The first nurse who took care of me asked. I spelled it for her. Then another nurse came to take me somewhere else and asked me again to spell my name. A third came and repeated the request. By the time I met the doctor, I had spelled my name 6 times, and after every time the nurses checked on the bracelet that I had with my name to make sure I was correct. What if I had made a mistake? Then, the doctor, who had already treated me before and had recommended the surgery, came and asked what kind of procedure I was having and where? What???? Well, he explained, looking at my bewildered face, he had to ask this question for the patient’s safety, to make sure that nobody got operated on the wrong part of the body… Okay, sounded good…

After the spelling and memory games were over, it turned out that the anesthesiologist wanted to discuss literature. Once, when I had a surgical procedure done in France, the doctor talked with me about Brazilian literature. This time, the American doctor asked me about some Portuguese authors. I wondered how come I never met people interesting like that in my daily life but always meet them in hospitals…
When it came time for the surgery itself, it was pretty neat. I asked the doctor if I could watch it, which astonished him. He finally agreed and I watched through the TV him moving his instruments inside my knee and performing the procedure on the meniscus. I never knew that my bones were so white. That was a surprise!

Later in the afternoon, supported by the crutches provided by the hospital, I left. In my innocence, I had thought that after the surgery I would go home, rest a bit and start working. Well, I was in for another surprise. The anesthesia given by the doctor – morphine – knocked me out for the rest of the day. On Friday, I was still not in my sane mind. Finally, on Saturday, when I was ready to work, something very unusual happened: the power was off for the entire day on my street and since I need the Internet to work, I couldn’t. With my knee still hurting, it was out of the question for me to go find a coffee shop with Internet. The source of the problem with the power took awhile to be diagnosed and fixed. Apparently, the problem originated  from some wires located close to our block’s mail box.

Yesterday, a crew from the telephone company came and worked all day in the same spot where the workers from the power company had been on Saturday. I was afraid that they would knock the Internet out again. It seems that when one company fixes something, another comes and breaks it. Miraculously, this didn’t happen.

Today, I woke up, looked out of the window and saw two police cars. Since they never appear in my neighborhood, I got curious. I dressed and limped outside to discover there was a house on fire on the next block. Luckily the elderly couple who lived there had been rescued by the firefighters and the fire was already under control. But there was still a lot of smoke, many police cars, firefighters, water company workers, insurance workers, and so on.

On my way back to the house, I realized that the mail boxes were gone. I asked one lady about it and she told me that the cable company had spotted some fire on the wires underneath the mail boxes and that from now on we would need to get our mail at the post office. What???? How come nobody informed us of that? Who had come and taken the mail boxes: the power company, the cable company, or the post office? Hospitals can be very different from one part of the world to another, but when it comes to a mess regarding construction work, every country is the same…

Well, I just came back from the post office. There, I was informed that I could not get my mail: it was in the truck with the mailman. Until I filled out a form, asking for the post office to hold my mail, the postman would be carrying my mail around in his truck, even though he could see with his own eyes that there wasn’t a mail box for our neighborhood anymore. I imagined writing a short story where the mail accumulates inside the truck until eventually the mailman can’t leave his truck anymore…

Now, I am back at my house trying to update my blog and wondering what will happen next. It has been hard to concentrate on my work. My knee swells if I sit at the desk and keep my leg down. I have to work sitting on my bed, with my legs stretched. But my cat, who loves proximity, is convinced that there is no better place for him to sit than over my mouse. If I shoo him, he goes and sits on my papers. I shoo him again, he pretends that he is going to leave me alone, then sneaks and sits on the mouse pad. When I am losing my patience, he curls up like a ball and takes a nap. Cats’ naps take priority over any problems of the world.

As pessoas dizem que se você uma aranha deve ficar atenta: aranhas andam em pares e outra deverá aparecer logo logo. Muitos animais, como os veados, vivem em bandos e raramente são vistos sozinhos. Estou convencida de que o mesmo acontece na nossa vida. Quando algo fora do comum acontece, podemos ter certeza de que outras coisas extraordinárias acontecerão também.

Desde quinta-feira passada a minha vida anda de cabeça para baixo. Tudo começou com minha cirurgia no joelho, um procedimento artroscópico muito rápido do qual eu esperava me recuperar no mesmo dia. Bem, descobri que as coisas não eram tão simples assim ...

Fiz a cirurgia na Penn Presbyterian, um hospital-escola da Filadélfia onde estudantes de medicina aprendem com os melhores professores e os médicos tratam os pacients com tudo o que há de mais moderno. A primeira coisa que aprendi quando cheguei foi que eu devia saber soletrar. "Pode soletrar seu nome para mim?" A primeira enfermeira me perguntou. Fiz o que ela me pedia. Em seguida, outra enfermeira chegou para me levar para outro lugar e me pediu novamente para soletrar meu nome. Uma terceira repetiu o pedido. Quando finalmente encontrei com o médico, tinha soletrado meu nome seis vezes, e depois de cada vez a enfermeira olhava para a pulseira de plástico com o meu nome para se certificar de que estava correto. E se eu tivesse cometido um erro? Em seguida, o médico, que já havia me tratado antes e recomendado a cirurgia, se aproximou e perguntou que tipo de cirurgia eu estava ali para fazer e onde. O que???  Bem, ele explicou, olhando para minha cara confusa, ele tinha que perguntar isso para se certificar de que ninguém era operado na parte errada do corpo ... Ok, já que era assim ...

Após os testes de soletrar e de memória, fiquei sabendo que o anestesiologista estava interessado em conversar sobre literatura. Há alguns anos, quando fiz uma pequena operação na França, a médica queria discutir a respeito de literatura brasileira. Desta vez, o médico americano me perguntou sobre alguns autores portugueses. Fiquei pensando por que eu nunca conhecia pessoas interessantes no meu dia-a-dia, mas sempre as encontrava nos hospitais ...

Quando chegou o momento da cirurgia, foi bem legal. Surpreendi o médico perguntando se eu podia assistir e ele concordou. Então, vi pela TV os instrumentos cirúrgicos dentro do meu joelho, raspando o menisco. Nunca pensei que meus ossos pudessem ser tão brancos. Isso foi uma surpresa e tanto para mim!

No final da tarde, tive alta e saí, apoiada nas muletas fornecidas pelo hospital. Na minha inocência, eu tinha imaginado que depois da cirurgia iria para casa, descansaria um pouco e começaria a trabalhar. Bem, evidentemente tive outra surpresa. A anestesia dada pelo médico - morfina me pôs para dormir o resto do dia. Na sexta-feira, eu ainda estava meio bodeada. No sábado, quando finalmente me senti pronta para trabalhar, algo inusitado aconteceu: acabou a luz na minha rua o dia inteiro e como preciso da internet para trabalhar, não pude fazer nada. Com o meu joelho ainda doendo, não tinha condições de ir a um café com internet. O problema com a falta de luz levou algum tempo para ser descoberto e corrigido. Aparentemente, tudo aconteceu por causa de alguns fios elétricos localizados perto das caixas de correio do nosso quarteirão.

Ontem, uma equipe da empresa telefônica apareceu e trabalhou o dia todo no mesmo local onde os funcionários da empresa de energia tinham trabalhado no sábado. Fiquei com medo de que eles estragassem a internet novamente. Parece que quando uma empresa corrige uma coisa, outra vem e quebra. Milagrosamente, isso não aconteceu.

Hoje, quando acordei, olhei pela janela e vi dois carros da polícia. Como eles nunca aparecem no meu bairro, fiquei curiosa. Vesti-me e foi mancando lá fora onde acabei descobrindo que havia uma casa pegando fogo no outro quarteirão. Por sorte o casal de idosos que vivia ali tinha sido tirado a tempo pelos bombeiros e o fogo já estava sob controle. Mas ainda havia muita fumaça, muitos carros de polícia, bombeiros, trabalhadores da companhia de água, funcionários da empresa de seguros, e assim por diante.

Quando eu me preparava para voltar para casa, percebi que as caixas de correio tinham desaparecido. Perguntei a uma senhora sobre isso e ela me disse que a empresa telefônica havia visto fogo nos fios elétricos embaixo das caixas de correio e que por isso teríamos de ir pegar nossa correspondência no correio até que o problema se solucionasse. O que?? Como ninguém nos informou sobre isso? Quem tinha vindo e levado as caixas de correio: a empresa de energia, a empresa telefônica, ou o pessoal do correio? Hospitais podem ser muito diferentes de uma parte do mundo para outro, mas quando se trata de confusão a respeito de trabalho de construção, todo país é a mesma bagunça ...

Bem, acabei de voltar do correio. Lá, fui informada de que não podia pegar minha correspondência: ela estava no carro com o carteiro. Até que eu preenchesse um formulário, pedindo para que minha correspondência fosse guardada nos correios, o carteiro continuaria trazendo-a todo dia na sua van, mesmo que ele pudesse ver com seus próprios olhos que não havia mais uma caixa de correio no nosso quarteirão. Fiquei pensando em escrever um conto no qual a correspondência se acumula dentro do carro do carteiro, até que finalmente ele não pode sair mais ...

Agora, estou em casa tentando atualizar meu blog e me perguntando o que acontecerá a seguir. Tem sido difícil me concentrar no meu trabalho. Meu joelho incha se eu me sento e ponho as pernas para baixo. Tenho que trabalhar sentada na cama, com as pernas esticadas. Mas meu gato, que adora proximidade, está convencido de que não há melhor lugar para ele sentar do que em cima da minha mouse. Se eu o mando embora, ele vai e senta-se sobre meus papéis. Eu o mando embora novamente, ele finge que me obedece, mas volta devagarinho e senta sobre o mouse pad. Quando estou perdendo a paciência, ele se enrola como uma bola e tira uma soneca. As sonecas dos gatos são mais importantes do que todos os problemas do mundo.

Photo: Bernadete Piassa